Ver e Ouvir

Entre todas, estas são as minhas artes favoritas. Apesar de sentir-me bem a contemplar algo sem que música alguma acompanhe os meus delírios, o mesmo acontece quando ouco música e algo falta para acompanhar o que vejo interiormente.

Porém combinar as duas artes é o namoro mais feliz e perfeito de que tenho memória. Nem uma tragédia romanesca e lamechas chega aos seus pés. Invés de previligiar a tragédia, previligia a felicidade. Só quem chegou aos dois extremos da condicão humana entende que a melancolia é tão forte como a felicidade, e, quando não forcadas, ambas são a mesma coisa. O importante é a libertacão dos nossos medos, e não a tortura. Ao contrário dos que baseiam a sua razão no intelecto, o poeta tudo experimentou até chegar à conclusão de que nenhuma teoria, por mais eloquentemente elaborada que seja, ultrapassa o prazer e felicidade que advêm da sã loucura dos que viram, mas não tocaram, o infinito universo do insondável.

Mas o que levou-me a divagar por este caminho... Talvez a cobardia de não me aproximar para garante de que não vou sofrêr. Talvez a cobardia de um dia amar seriamente e incondicionalmente e vir a descobrir que afinal o meu coracão não é tão gelado e duro como o obrigo a ser. Subitamente, como se do nada, brota uma premente vontade de derrubar a muralha que eu estupidamente erguera em quase toda a minha vida de modo a proteger o meu ego, quando este, em troca, só me deu a conhecer o lado amargo da vida; o orgulho, o despotismo, e aí em diante... Mas porquê exigir uma contrapartida quando gosto de mim como sou, i.e com todas as virtudes e desvirtudes, pois os defeitos só se aplicam aos que não tem virtude alguma... Não conheco ninguem assim.
Quem me garante que neste momento não ame já a vida cegamente ao ponto de já não me incomodar com as contradicões da vida.

Ou sou demasiado imperfeito para entender a mensagem transcendental da vida, ou deus tem um mau gosto incrivel ao dotar certas pessoas da capacidade de falarem... Eis uma contradicão...
Quem garante-me que o ver e ouvir despertaram em mim uma sensibilidade que eu teimava em não reconhecer em mim próprio...Quanta insensibilidade minha. Eis outra contradicão...